Deolane Bezerra é detida em ação contra esquema de lavagem de dinheiro do PCC
Mandados de prisão são executados em operação
Na manhã desta quinta-feira (21/5), a advogada e influenciadora digital Deolane Bezerra foi detida durante uma ação conjunta do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) e da Polícia Civil. As investigações visam um suposto esquema de lavagem de dinheiro relacionado ao PCC (Primeiro Comando da Capital). A influenciadora é alvo de apurações por sua possível participação em operações que ocultam recursos ligados à organização criminosa.
Detalhes da detenção
A operação incluiu a realização de mandados de busca e apreensão na residência da ex-participante de “A Fazenda 14”, situada em um condomínio de luxo em Barueri, na Grande São Paulo, além de outros locais associados à advogada.
Segundo informações veiculadas pela mídia, Deolane chegou a ser listada na Difusão Vermelha da Interpol após uma recente viagem a Roma, na Itália; no entanto, ela retornou ao Brasil na quarta-feira (20). Além dela, um contador e um influenciador digital considerado como filho adotivo da empresária também foram alvos das buscas.
Bloqueio significativo de ativos
O Judiciário determinou o bloqueio de R$ 27 milhões em contas bancárias vinculadas à ex-participante do reality show. Conforme os relatórios das autoridades, essa quantia refere-se a valores cuja origem financeira não foi justificada, apresentando indícios substanciais de lavagem de dinheiro. A investigação identificou que houve tentativa de ocultação e dissimulação do patrimônio relacionado ao PCC, com base no rastreamento dos débitos e créditos na conta pessoal da influenciadora e na sua empresa jurídica.
Conforme as acusações, entre 2018 e 2021, Deolane teria recebido depósitos suspeitos que não foram formalmente declarados. Somente R$ 1.067.505,00 teriam sido transferidos para sua conta através de transações fracionadas inferiores a R$ 10 mil. Essa técnica conhecida como “smurfing” é utilizada para evitar os mecanismos automatizados do Banco Central.
Além disso, o inquérito revelou que aproximadamente 50 depósitos, totalizando R$ 716 mil, foram enviados para duas empresas pertencentes a Deolane por um suposto banco que tem como responsável um morador da Bahia com rendimento declarado inferior a um salário mínimo. Investigadores afirmaram que a visibilidade pública e as atividades empresariais eram usadas como “camadas de aparente legalidade” para dificultar a identificação da origem ilícita dos recursos.
A origem da investigação
A Operação Vénix começou em 2019 após apreensões feitas pela Polícia Penal que encontraram bilhetes e anotações com líderes criminosos na Penitenciária 2 de Presidente Venceslau, interior paulista. Três inquéritos policiais subsequentes mapearam as conexões do grupo criminoso. O rastreamento levou à descoberta de uma empresa de transporte que funcionava como fachada para o fluxo financeiro do crime organizado.
No estágio seguinte da investigação, chamado Operação Lado a Lado, dados extraídos de celulares revelaram diálogos entre indivíduos ligados ao PCC. Segundo informações divulgadas por veículos especializados, essas conversas mostraram indícios de transferências financeiras e conexões pessoais e comerciais entre Deolane e um dos gestores fictícios da transportadora.
Conexões envolvendo depósitos e alugueis
Relatos indicam que parte dos depósitos sob investigação foi originada por Ciro César Lemos, acusado de operar no esquema de lavagem para o núcleo familiar do líder do PCC Marco Herbas Camacho, conhecido como Marcola. Ciro e sua esposa receberam penas que variam entre 11 e 14 anos por atuarem como “laranjas” em uma frota de veículos próxima ao presídio paulista.
A história também menciona Everton de Sousa, conhecido como “Gordão”, que foi preso em 2021 por envolvimento com lavagem de dinheiro. Naquele momento, ele confirmou ter feito pagamentos mensais no valor de R$ 5 mil pelo aluguel de um apartamento pertencente a Deolane localizado no Tatuapé, Zona Leste paulistana. A esposa dele afirmou que essa locação ocorreu devido à amizade entre seu marido e a influenciadora.
Bloqueio total ultrapassa R$ 327 milhões
No total, o juiz responsável decretou seis prisões preventivas junto com o bloqueio global superior a R$ 327 milhões. A força-tarefa ainda apreendeu quatro imóveis e 17 veículos luxuosos avaliados em mais de R$ 8 milhões. Entre os detidos nesta quinta-feira está Everton Souza, apelidado como “Player”, identificado pelos investigadores como o operador financeiro encarregado da distribuição do dinheiro proveniente da transportadora nas contas designadas.
Dentre os demais mandados estão familiares diretos do chefe do PCC atualmente preso na Penitenciária Federal em Brasília. O irmão de Marcola, Alejandro Camacho — já encarcerado — é um dos alvos junto com seus filhos. Há suspeitas sobre uma sobrinha chamada Paloma Sanches Herbas Camacho estar foragida na Espanha; enquanto seu irmão Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho estaria escondido na Bolívia.
Anteriores problemas legais
Esta não é a primeira vez que Deolane Bezerra enfrenta problemas legais relacionados a crimes financeiros. Em setembro deste ano (2024), ela foi presa preventivamente pela Polícia Civil pernambucana durante a Operação Integration, que investigava um esquema bilionário envolvendo lavagem de capitais e jogos ilegais online. Naquela ocasião, sua mãe também foi detida.
No decorrer desse processo anterior, Deolane recebeu o benefício da prisão domiciliar devido à condição humanitária por ter uma filha menor; no entanto, essa autorização foi revogada menos de um dia após ela desrespeitar as restrições judiciais que proíbem manifestações públicas e entrevistas. Ela foi levada para a Colônia Penal Feminina em Buíque até conseguir habeas corpus coletivo concedido pelo Tribunal Justiça do Estado (TJPE), liberando todos os investigados daquela operação.
Irmã se manifesta sobre perseguições
A defesa legal ainda não se posicionou oficialmente sobre as recentes ocorrências. Entretanto, Daniele Bezerra — irmã da influenciadora — publicou um desabafo nas redes sociais criticando as ações realizadas pela Polícia Civil e pelo Ministério Público.
Daniele afirmou que as autoridades tentam transformar suposições em verdades concretas e manchetes em condenações sem justificativa adequada para tal prisão. Ela ressaltou que o andamento do caso atual é fundamentado em alegações repletas de ilusões narrativas visando prejudicar a imagem pública da família.
Espaço aberto para declarações
A detenção de Deolane Bezerra faz parte das investigações ainda sem condenações definitivas. O tema está sob constante atualização e há espaço disponível para comentários ou esclarecimentos das partes mencionadas que desejem responder ou adicionar informações ao relato apresentado.
