Cinemas em Foco: Brad Pitt, Vingadores e Aventuras Animadas Dominam a Tela
Na programação cinematográfica desta quinta-feira (24/9), dois lançamentos se destacam: “Coração Selvagem”, uma intensa aventura de sobrevivência com Brad Pitt, e a animação “A Ilha Esquecida”, que, coincidentemente, são as produções mais elogiadas da semana. Além dessas estreias, a lista inclui uma nova versão de “Vingadores: Ultimato”, um desenho clássico de “One Piece” e nada menos que nove produções nacionais, entre elas o filme de terror “Virtuosas” e mais uma animação, “Papaya”.
🎞️ CORAÇÃO SELVAGEM
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Brad Pitt retoma sua colaboração com David Ayer, diretor de “Corações de Ferro”, em uma trama que reduz a complexidade da vida a elementos básicos: um homem, um cão e uma natureza hostil. Sem um elenco coadjuvante extenso ou enredos complicados, o filme dedica grande parte dos seus 101 minutos à performance do ator e seu pastor-alemão.
No papel de James Belmont, um ex-membro das Forças Especiais que sofre um acidente aéreo no Alasca, Pitt se vê preso em meio à natureza ao lado de Odin, seu cão. Feridos e sem meios de comunicação, eles precisam atravessar um território perigoso, enfrentar predadores e lutar contra as adversidades climáticas enquanto Belmont lida com seus traumas da guerra. J.K. Simmons (“Whiplash”) e Anna Lambe (“True Detective: Terra Noturna”) têm papéis secundários na trama.
Ayer não esconde o sentimentalismo na relação entre o protagonista e seu animal de estimação, mas encontra no afeto deles a força motriz de uma narrativa bastante simples. Embora algumas sequências envolvendo animais digitais possam parecer menos credíveis, Pitt consegue sustentar longos momentos da história quase sozinho. As primeiras avaliações elevaram o filme a 90% no Rotten Tomatoes, destacando a conexão entre o ator e os cães que interpretam Odin.
🎞️ A ILHA ESQUECIDA
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A DreamWorks troca dragões e ogros por mitologia filipina em sua primeira grande animação centrada nesse rico repertório cultural. Joel Crawford e Januel Mercado, indicados ao Oscar por “Gato de Botas 2: O Último Pedido”, utilizam criaturas do folclore das Filipinas para contar uma história sobre amizade ameaçada não por conflitos, mas pelo esquecimento.
A cantora H.E.R. (“A Cor Púrpura”) e Liza Soberano (“Liza Frankenstein”) emprestaram suas vozes às personagens Jo e Raissa, amigas desde a infância que estão prestes a seguir caminhos diferentes após o ensino médio. Na última noite juntas, elas atravessam um portal para Nakali, uma ilha repleta de seres das histórias contadas por suas famílias. Para retornar para casa, precisam enfrentar a Manananggal, um monstro dublado por Lea Salonga (“Aladdin”), descobrindo que o preço da saída pode ser perder as lembranças uma da outra.
A força dessa fantasia reside no fato de não tratar a cultura filipina como mera decoração exótica. Mercado tem raízes filipinas e muitos membros do elenco compartilham essa herança cultural; além disso, o filme incorpora lendas específicas em sua narrativa. A recepção inicial foi excepcional, com 100% de aprovação nas primeiras análises do Rotten Tomatoes, que ressaltaram a inovação visual e o vínculo emocional entre as protagonistas mesmo diante de uma trama carregada de eventos.
🎞️ PAPAYA
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“Papaya” é o primeiro longa-metragem da animadora Priscilla Kellen e chamou atenção internacional ao participar da Generation Kplus na Berlinale com sua narrativa silenciosa. A diretora combina formas bidimensionais com colagens e grafismos latino-americanos em um estilo que denomina como “tropicalismo pós-apocalíptico”, contando com Alê Abreu (“O Menino e o Mundo”) na produção.
A história gira em torno de uma pequena semente de mamão que resiste à ideia de criar raízes para se tornar uma árvore como sua mãe. Seu desejo é voar pelo mundo; no entanto, essa busca incessante pela liberdade muda quando percebe que as raízes também podem conectar-se e transformar seu ambiente. A trilha sonora composta por Talita Del Collado e a participação de Tulipa Ruiz desempenham papéis essenciais na narrativa sem diálogos.
A ausência de falas evita explicações didáticas fáceis e demanda que formas visuais, movimentos, música e cores comuniquem o desenvolvimento da personagem. Embora a metáfora seja simples, ela não é simplória: criar raízes deixa de simbolizar aprisionamento para representar pertencimento. Esta é uma animação infantil que confia na capacidade das crianças em interpretar imagens sem precisar traduzir cada ideia em palavras.
🎞️ VIRTUOSAS
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O longa-metragem inaugural da cineasta catarinense Cíntia Domit Bittar (“Círculos”) utiliza coaches cristãs sobre feminilidade como base para sátira e terror. Filmado em Santa Catarina, este projeto ganhou o prêmio Goes to Cannes durante o Marché du Film antes de percorrer festivais brasileiros. Mais tarde recebeu também o Prêmio Netflix na 49ª Mostra de São Paulo.
Bruna Linzmeyer (“O Grande Circo Místico”) interpreta Virgínia Heinzel, responsável por um retiro destinado a ensinar mulheres a atingirem uma versão supostamente mais virtuosa e obediente delas mesmas. Maria Galant (“Inventário de Imagens Perdidas”) é Germina, uma das participantes do retiro onde discursos sobre casamento e submissão revelam estruturas muito menos espirituais do que inicialmente prometido. Juliana Lourenço e Nenê Borges também fazem parte do elenco.
O humor ácido prevalece antes do horror se instalar na narrativa e permanece dominante durante grande parte do filme. Embora isso diminua o impacto das ameaças apresentadas, deixa claro que o verdadeiro monstro não precisa ser maquiado: ele reside nos discursos contemporâneos que transformam submissão em autoaperfeiçoamento disfarçado. Linzmeyer aproveita bem a ambiguidade da personagem capaz de vender opressão como empoderamento.
🎞️ PRECISAMOS FALAR
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A obra “O Jantar”, escrita pelo autor holandês Herman Koch já foi adaptada para cinema na Holanda, Itália, Estados Unidos e Coreia do Sul antes de ganhar sua versão brasileira. Os diretores Pedro Waddington e Rebeca Diniz (ambos envolvidos em “Emergência 53”) trazem para o Rio de Janeiro questões centrais presentes nessas adaptações: até onde pais privilegiados iriam para proteger seus filhos após cometerem um crime brutal?
Marjorie Estiano (“Sob Pressão”) e Alexandre Nero (“Vale Tudo”) formam um dos casais centrais da trama enquanto Hermila Guedes (“O Agente Secreto”) e Emílio de Mello (“Sessão de Terapia”) interpretam outro casal envolvido no conflito moral. Seus filhos adolescentes cometem um ato violento contra uma mulher em situação vulnerável enquanto são registrados por câmeras sem conseguir serem identificados imediatamente. Quando os pais descobrem quem são os responsáveis pelo crime precisam decidir entre denunciá-los ou usar seus privilégios para protegê-los.
A adaptação não busca sutilezas nem sempre repete seus argumentos claramente; no entanto,o elenco transforma essa discussão moral em um embate físico entre culpa, conveniência e autopreservação. Apresentado no Festival do Rio e na Mostra de São Paulo, o drama se destaca mais quando passa a questionar até onde vai esse amor dos pais pelos filhos sem deixar clara sua real motivação.
🎞️ MARIDO DE ALUGUEL
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Maurício Manfrini – conhecido como Paulinho Gogó em “A Praça é Nossa” – estrela junto com Mariana Xavier (“Minha Mãe é uma Peça”) nesta comédia popular que explora a dinâmica entre um faz-tudo tagarela enfrentando os desafios financeiros desesperadores da protagonista feminina. Sob direção própria Paulo Fontenelle (“O Porteiro”), este roteiro é construído através do exagero das situações familiares cômicas geradas pela habilidade do protagonista em transformar pequenos consertos em problemas maiores.
No filme Mariana vive Alice – endividada – que contrata Vadeco (Manfrini) para realizar reparos em casa por um preço acessível. Sua rotina muda completamente quando seu ex-marido foge da prisão decidido a causar tumulto novamente na vida dela. O elenco conta ainda com Alexandre Lino, Heitor Martinez, Letícia Braga, Letícia Isnard e Alexandra Richter.
A comédia depende quase inteiramente da performance expansiva do Manfrini enquanto interage com personagens caricatos em situações cada vez mais absurdas ao longo da trama. É inegavelmente uma comédia popular que revela fragilidades nas piadas quando as situações caóticas perdem seu fator surpresa.
🎞️ THE FOX SISTERS
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Wagner de Assis (“Nosso Lar”) mantém seu foco nos dramas espíritas nesta coprodução Brasil-Estados Unidos ambientada no século XIX – falando inglês – sobre as irmãs Fox. O caso delas serve como material ideal para seu estilo cinematográfico repleto de fenômenos sobrenaturais associados à fama religiosa além dos debates históricos ainda atuais após quase 180 anos.
No ano de 1848 as irmãs Maggie e Kate Fox começam a ouvir batidas misteriosas na casa onde vivem em Hydesville Nova York desenvolvendo assim códigos para se comunicar com essas presenças inexplicáveis .Juntas com Leah , sua irmã mais velha , elas transformam sessões espirituais numa atração pública contribuindo assim para difundir o espiritismo nos Estados Unidos . Sionne Elise (“Quase Apaixonados”), Jamie Hughes (“Elon”) além da estreante Marie McHugh interpretam as irmãs adultas nessa produção .
A parte mais intrigante dessa história real acaba sendo também a mais problemática sob um ponto espiritual.Oitenta anos depois , Maggie declarou publicamente que os fenômenos eram fraudes criadas pelas próprias irmãs , antes porém voltando atrás nesse depoimento no ano seguinte.Assis inclui tal controvérsia porém dá prioridade à interpretação espiritualista reduzindo aspectos duvidosos que tornam essa história tão fascinante.A produção histórica aqui apresentada possui grandes ambições mas peca pela excessiva solenidade narrativa focando mais em confirmar crenças do que explorar suas contradições intrínsecas .
🎞️ NEM TODA HISTÓRIA DE AMOR ACABA EM MORTE
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Nesta comédia dramática dirigida por Bruno Costa (“Cidade de Deus: A Luta Não Para”), temos pela primeira vez no cinema brasileiro uma protagonista surda cuja narrativa prefere explorar complicações românticas através desse triângulo amoroso singular ao invésde transformar representatividade num discurso explícito.
Lola interpretada por Gabriela Grigolom é atriz surda,mãe responsável por companhia teatral situada em Curitiba.Ao passoque inicia relacionamento com Sol(Chiris Gomes), professora , ela ainda divide moradia com Miguel(Octávio Camargo), seu ex-marido.Nesse contexto,a história exige dos três personagens encontrar maneiras adequadasde convivência durante esse desenrolar entre separação antigae novo romance surgindo .
A presença marcanteGrigolom extrapola as telas pois todo elenco contoucom atores surdos alémde profissionais surdosna equipe,dando espaço à Libras dentroda narrativa.A proposta interessa mais quando evita rotular os personagenscomo símbolos permitindo assim mostrarque amor,cumplicidade,e ciúmes seguem confusos mesmoapós separações aparentemente definitivas .
🎞️ HOTEL AMOR
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Criada para parecer como um único plano-sequência , esta comédia resultante duma coprodução Portugal-Brasil retrataum dia particularmente caótico num hotel localizadoem Lisboa , utilizando corredores,elevadores,e quartoscomo palcos onde personagens entrame saem numa coreografia constante .
Catarina vivida por Jessica Athayde(“Morangos Com Açúcar”)é gerente workaholicque precisa provar suasqualificações após venda dopredial.Mesmo lidando simultaneamente coma falta depessoal preparado,hóspedes excêntricos edum reaparecimento ligadoao passado afetivo.Seu “par” será Marcelo Adnet (“Brasil70 : A Saga Do Tri”) vivendouma versão dele mesmo,sendocomediante hospedado nesse hotel.Júlia Palhae Margarida Corceiro completam esse núcleo português .
a encenação contínua promove agilidadeao caos transformando assim todo espaço numa engrenagem cômica.Mas vale dizer quetécnica chama atenção superando várias piadas contidasno enredo.Cortes estratégicos escondidos permitemao diretor Hermano Moreira (“Amo-te Imenso”)manter ilusãodo plano único enquanto desdobramentosforçam Catarina constantementea mudar determo desde quartos.O exercício formalproposto acaba sendo mais interessanteque próprio roteiro dessa comédia .
🎞️ ME FILMA
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No documentário dirigidopor Victor Ribeiro(“A Rota Da Canoa”),o Vale Do Anhangabaúfoi transformado num estúdio abertoonde qualquer pessoa poderia ser filmada.Ele lançouuma pergunta simples durante onze dias : quem passasse pela rua gostaria departicipar dum filme ?Maisde cem desconhecidos aceitaramsugestão tornando-se personagens roteiristas intérpretesdessa experiência cinematográfica particular .
A proposta surgiu atravésde set montadonos centrosampaulinoacompanhado dumnoticiário convidativo aos transeuntes.Ao invésde entrevistas convencionais,pessoas responderiamcomo gostariam desurgir num filme qual personageminterpretariam etc.O resultado abre caminhoencenações,desejos,memóriasversões imaginárias sobreprópria vida.Essa experiência tem menos interesseem montarum retratode São Paulo definitivoque revelar rapidezcomque indivíduos comunsaprendem atuar diante das câmeras.Odocumentário expõe sociedademarcada pelaauto-representação cotidiana nas redes sociaisoferecendo algo diferentete tempos espaçospara desconhecidosdecidirem conscientemente comoqueremser vistos .
🎞️ QUANDO A GENTE MENINA CRESCE
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Pelo longa independente vencedordo prêmio Melhor Longa Gaúchoe Juri Popularno Festival De Gramado,a primeira menstruaçãoé tratadacomo assunto cinematográfico sem recorrer expõe especialistas explicando meninasao público.Direção fica sob responsabilidade Neli Mombelli(“Depois Daquele Dia”)filmando meninas diretamente permitindodúvidas,m medos,bromadeirasdescobertasguiar documentário.
Seis alunas entre novee doce anos frequentantesdescola pública perifericaSanta Maria-Rio Grande Do Sulforampequenas observadoras acompanhadasdurante anoleitivo.Mentras esperamprimeira menstruaçãoobservando mudanças corporais,e discutindo aprendizados obtidosmães professoras amigas tambémacompanhamluta escola melhorescondições estrutura acolhimento.
A força reside exatamentena ausênciaespetacularização.Acontecimento biológico cercadopor vergonha,silêncio desinformações aparececomo parte normal crescimentosem retirar direito menina achar estranhos assustadorou engraçado.Oelenco feminino recebeu mençãohonrosa Gramado.
🎞️ ONE PIECE: O FILME
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O primeiro longa-metragemde “One Piece”, lançado originalmenteno Japãoem2000chega aos cinemas brasileiroscomo cápsula dotempo duma franquiaque ainda estava longe detornar-se fenômeno mundial.Com apenas51 minutos,a aventura pertence aos primeiros anosdo animeoferecendo versãomuito mais simplificada daqueleuniverso pirata.
Luffycompanheirosbuscam tesouroWoonan,lendário pirataacumulou cerca terçode todo ouro mundialesconhecido sumir numa ilhadistante.No caminho surgeEldrago,outro pirata disposto encontrarfama dotreasure dotado poderes Akuma No Mi.Mayumi Tanaka,tambémconhecidaJapão vozKuririnem“DragonBall”,dublaLuffyversãooriginal.
Duração breve produzhistória diretaquaseepisódio especial ampelado quantidadede personagensmitologia cercandocriaçãoEiichiro Oda.Simplicidadeé curiosidade relançamento.Maisquesimplesapresentar algo novo,pode observar”OnePiece”antes décadasexpansõestransformarembuscapelo grande tesouro numa narrativacomplexa cultura pop.
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