Juliette comenta polêmica em vídeo que desafia Flávio Bolsonaro
Juliette se defende de críticas
Nesta quarta-feira (14/10), Juliette Freire respondeu às acusações de que teria recebido verbas públicas para sua participação em um vídeo que explora as relações entre Flávio Bolsonaro (PL) e o bispo evangélico JB Carvalho, conhecido por suas críticas à figura de Nossa Senhora Aparecida. A vencedora do BBB 21 negou qualquer recebimento de dinheiro governamental e desafiou os acusadores a apresentarem evidências concretas. As alegações surgiram após sua colaboração no projeto jornalístico “Revelando”, voltado a investigar vínculos entre políticos, líderes religiosos e grupos econômicos.
Resposta da artista
A cantora declarou: “Jamais receberia um centavo”, ao contestar as insinuações sobre o recebimento de recursos públicos. Juliette descreveu as alegações como criminosas e pediu aos seus seguidores que assistissem ao vídeo na íntegra antes de formarem uma opinião. Ela enfatizou que as informações contidas no material foram checadas e que a abordagem respeitou as crenças religiosas e os indivíduos mencionados. Embora reconhecesse que o público poderia interpretar os fatos de maneiras diversas, a artista rejeitou a ideia de que o projeto veiculasse informações falsas. Ao concluir sua fala, afirmou que não pretendia mais discutir o assunto nas redes sociais.
Entenda a polêmica do vídeo
O documentário apresentado por Juliette discute a relação política entre Flávio Bolsonaro e JB Carvalho, relembrando declarações do bispo sobre Nossa Senhora Aparecida. O tema ganhou destaque durante a corrida presidencial, em um período marcado por tensões políticas relacionadas à religião.
Com duração de 22 minutos, o vídeo inicia com uma provocação da cantora: “Por que uma santa tão frágil, que já nasceu partida em duas, desperta tanto ódio em quem quer mandar no país?”. A reportagem também revisita a história da imagem encontrada por pescadores em 1717, sua conexão com a população negra e como essa devoção popular fez dela a padroeira do Brasil.
A produção ainda retrata episódios de intolerância religiosa, incluindo um ataque do bispo Sérgio Von Helder, da Igreja Universal do Reino de Deus, que chutou uma imagem de Nossa Senhora Aparecida em uma transmissão televisiva em 1995. Esse incidente provocou protestos por parte dos católicos e repercutiu nacionalmente.
Conexão com Flávio Bolsonaro
No centro da investigação está JB Carvalho, fundador da Comunidade das Nações. Em seu livro “A Bomba: A Verdade Pode Ser Explosiva”, publicado em 2001, ele associou Maria, venerada pelos católicos, a uma divindade pagã que chamou de “braço direito de Satanás”. Carvalho também questionou a legitimidade do feriado celebrado em 12 de outubro e defendeu a revogação do título de padroeira conferido a Nossa Senhora Aparecida.
O documentário inclui imagens do batismo de Flávio Bolsonaro realizado em janeiro de 2024 na Comunidade das Nações e levanta questões sobre sua escolha pela igreja de JB Carvalho, considerando as declarações do bispo contra a devoção católica. Essa aproximação é estabelecida como um ponto político relevante na disputa pelo eleitorado religioso.
A controvérsia adquiriu grande importância durante a campanha presidencial de 2026. Nas redes sociais, surgiram publicações acusando Flávio de ter planos para retirar o título de padroeira dado a Nossa Senhora Aparecida. O senador negou tais intenções e o Tribunal Superior Eleitoral ordenou a remoção das afirmações. A matéria apresentada por Juliette foca nas conexões comprovadas entre o senador e o religioso, assim como seu histórico de declarações e ações contra Nossa Senhora.
A tentativa legislativa contra o título
A produção também menciona uma proposta legislativa apresentada em 2007 pelo então deputado federal Victório Galli, que visava retirar oficialmente o reconhecimento de Nossa Senhora Aparecida como padroeira do Brasil; essa proposta foi arquivada.
Ao compilar esse episódio legislativo junto com as declarações de JB Carvalho e ataques às imagens religiosas, o documentário analisa como hostilidades dirigidas aos símbolos católicos ultrapassaram diferenças teológicas para adentrar no campo político.
Motivos para participar do projeto
Juliette explica que sua experiência familiar influenciou sua decisão sobre abordar questões relacionadas à convivência entre religiões — seu pai é evangélico enquanto sua mãe é católica. Essa diversidade religiosa dentro da família contrasta com a hostilidade retratada no documentário.
A artista revelou ter hesitado ao considerar se envolver no tema devido à polarização política atual; no entanto, decidiu participar por acreditar que defender o respeito religioso é uma questão justa. “Senti que precisava estar aqui”, disse Juliette ao explicar sua participação.
Reação negativa de Flávio
Flávio Bolsonaro criticou abertamente o vídeo durante uma transmissão ao vivo, acusando Juliette de disseminar informações inverídicas. O senador evangélico afirmou respeitar diversas religiões e condenou tentativas vistas por ele como divisórias entre católicos e protestantes durante a campanha eleitoral.
Ele ainda deixou um comentário sob o vídeo no X: “Pare de explorar eleitoralmente N.Sra. Aparecida. É um grande desrespeito com milhões de cristãos, ainda mais usando a maior FAKE NEWS das eleições. Lula está cansado; o povo brasileiro está cansado dele e por isso votou na MUDANÇA!”
No meio das respostas ao comentário, o jogador Richarlison questionou diretamente Flávio: “@flaviobolsonaro e a minha ilha?”, referindo-se à disputa sobre uma mansão em Angra dos Reis onde afirma ter sido lesado pelo senador em cerca de R$ 10 milhões. Este assunto pode ser abordado em futuros vídeos da série.
Projeto reúne artistas renomados
A série “Revelando” é resultado da colaboração entre o podcast Calma Urgente juntamente com o ICL, Mídia Ninja e o coletivo 342 Artes. A produção afirma utilizar documentos oficiais e financiamento privado para viabilizar suas atividades. Os organizadores anunciaram planos para tomar medidas legais contra perfis que disseminaram acusações quanto à origem dos recursos utilizados pelo projeto ou atacaram os apresentadores.
Além da participação da cantora Juliette, outros artistas conhecidos como Fábio Porchat, Luana Piovani, Camila Pitanga e Samara Felippo também contribuíram para os episódios que discutem diferentes aspectos das interações entre política, religião e interesses econômicos.
No Dia de Nossa Senhora Aparecida, às 9h desta segunda-feira, foi disponibilizado gratuitamente no YouTube o documentário apresentado por Juliette. Segundo dados divulgados pelos produtores da série, o vídeo teve cerca de 2,96 milhões visualizações até agora; somando-se todos os cinco vídeos do projeto são mais de 24 milhões reproduzidos.
Abertura para novos posicionamentos
A plataforma permanece disponível para novas declarações ou posicionamentos das partes mencionadas nesta matéria que desejem responder ou acrescentar informações relacionadas ao conteúdo noticiado.
