Cinemark apresenta “Zuzubalândia” com notáveis 114 exibições diárias para cumprir a Cota de Tela
Investigação sobre a Cinemark
Uma recente investigação realizada pela Folha de S. Paulo revelou que a rede de cinemas Cinemark tem utilizado o filme “Zuzubalândia – O Filme” como uma forma de atender à Cota de Tela. Esta norma, que visa incentivar a exibição do cinema nacional, obriga as salas a dedicarem parte de sua programação a produções brasileiras. Contudo, a rede tem concentrado um grande número de sessões da animação em horários matutinos, resultando em auditórios frequentemente vazios.
Razões para a seleção de “Zuzubalândia – O Filme”
A escolha do título por parte da Cinemark está fundamentada em condições logísticas e contratuais que facilitam o cumprimento das exigências estabelecidas pela Ancine. Um fator crucial é a duração curta do filme, que é de apenas uma hora, permitindo à rede dobrar o total de sessões em comparação a outras obras brasileiras mais longas.
Essa duração reduzida proporciona uma rápida rotatividade nas salas, causando pouco impacto na programação dos grandes lançamentos internacionais e criando espaço para filmes com maior atratividade comercial durante os horários de pico. Adicionalmente, Mariana Caltabiano, diretora da animação, firmou um contrato exclusivo com a Cinemark, onde a rede retém 70% da receita líquida enquanto ela recebe 30%.
Exploração de brechas na legislação
Embora seja classificado como média-metragem, a Cinemark descobriu uma brecha na legislação que permite contabilizar o filme para atender à cota, realizando mais de 17 mil sessões no ano corrente com uma média de apenas 0,1 espectador por exibição, conforme levantamento realizado pela Folha. A regra estipula que as exibições devem ser “predominantemente” longas-metragens nacionais, o que possibilita essa inclusão.
No dia 6 de maio, somente em São Paulo, foram agendadas 114 sessões do filme “Zuzubalândia – O Filme”. Quase metade delas ocorreu às 11h da manhã, enquanto as demais foram distribuídas entre meio-dia e 14h45. A reportagem acompanhou várias dessas sessões simultâneas na capital paulista e constatou que muitas estavam vazias, com projetores operando em salas sem público.
Em resposta às indagações sobre essa estratégia, a rede afirmou que as exibições fazem parte do Projeto Escola, que possibilita reservas para grupos escolares mediante pagamento. No entanto, não foram encontradas salas lotadas com esses grupos durante as investigações realizadas pelo periódico.
Posicionamento da Ancine
A Ancine está avaliando a situação sem considerar medidas punitivas imediatas e busca manter um diálogo aberto com a rede americana. A cota foi criada para promover a diversidade no cinema nacional e assegurar sua presença nas telas.
A prática adotada não contraria tecnicamente a legislação vigente, que exige um mínimo de 16% das sessões dedicadas ao cinema brasileiro sem impor limitações quanto à repetição ou horários específicos. As redes costumam programar exibições matutinas para liberar suas salas para os lançamentos internacionais. O intuito é maximizar sua participação no circuito cinematográfico e dominar os principais lançamentos oriundos de Hollywood.
As entidades mencionadas permanecem convidadas a se posicionar ou esclarecer quaisquer informações relacionadas ao tema abordado nesta reportagem.
