John Oliver faz piada com Lula, Flávio e Dark Horse em especial humorístico sobre a corrida eleitoral no Brasil
Brasil é tema central no Last Week Tonight
No episódio mais recente do “Last Week Tonight”, John Oliver dedicou o segmento principal às eleições brasileiras. Em uma análise que durou aproximadamente 25 minutos, o apresentador buscou elucidar ao público internacional a complexa disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro, entrelaçando contexto político, humor e um alerta claro sobre os riscos envolvidos neste pleito.
Trumpismo ganha “versão em português”
Oliver iniciou sua apresentação revisitando os eventos de 2022, quando Luiz Inácio Lula da Silva triunfou sobre Jair Bolsonaro por uma margem estreita. Ele também mencionou a ida do ex-presidente para a Flórida, os incidentes de 8 de janeiro de 2023 e a subsequente condenação de Bolsonaro pela tentativa de golpe de Estado. Ao traçar um paralelo com Donald Trump e a invasão do Capitólio, destacou que, embora a história não se repita, ela pode ganhar uma “dublagem em português”.
A interferência do ex-presidente dos Estados Unidos em favor de Bolsonaro também foi discutida. Oliver apontou que as tarifas de 50% impostas ao Brasil durante o julgamento do ex-presidente acabaram fortalecendo Lula politicamente, já que lhe permitiram posicionar-se como defensor da soberania nacional.
Lula também alvo das piadas
O atual presidente brasileiro não escapou das críticas bem-humoradas do programa. Oliver fez uma analogia entre Lula e Joe Biden, enfatizando o desgaste causado pela idade e a imagem de ambos como políticos tradicionais. No entanto, destacou que Lula realiza atividades físicas aos 80 anos, algo que poderia ter melhorado a imagem de Biden.
Entretanto, Oliver ironizou essas gravações como uma tentativa gerontológica de sedução e observou que, apesar da queda nas taxas de desemprego recentes, o aumento no custo de vida continua sendo uma preocupação central para os eleitores.
Flávio recebe análise crítica
O tom leve da conversa mudou ao se falar sobre Flávio Bolsonaro. Oliver confrontou as tentativas do candidato em se apresentar como uma versão moderada e “vacinada” de seu pai com declarações anteriores sobre a ditadura militar e comentários homofóbicos. Ele ressaltou também que um resultado negativo nas eleições poderia representar um sério risco para o mundo inteiro, caso Flávio vencesse — especialmente considerando seu histórico familiar durante períodos críticos na Amazônia.
Dark Horse é alvo de críticas incisivas
Uma parte significativa do programa foi dedicada à cinebiografia “Dark Horse”, que retrata Jair Bolsonaro e é protagonizada por Jim Caviezel (“A Paixão de Cristo”). Oliver exibiu trechos do filme e zombou do sotaque forçado do ator em diálogos em inglês, além do figurino, caracterização e orçamento reduzido. Ele ainda criticou abertamente o roteiro ao afirmar: “Chamar este filme de arte é esticar o termo além do limite”.
A produção também levantou questões sobre um escândalo relativo ao financiamento envolvendo Flávio Bolsonaro. Documentos revelaram negociações entre ele e Daniel Vorcaro, ex-proprietário do Banco Master, visando levantar milhões para o projeto cinematográfico. Embora Flávio tenha admitido as conversas, negou qualquer irregularidade ou favorecimento político.
Oliver questionou onde teria ido parar o dinheiro destinado ao filme — que ele considerou barato — e explorou a ironia no adiamento do lançamento para após as eleições. Segundo o apresentador, Flávio acabou arcando com as consequências desse escândalo sem colher os frutos eleitorais que uma cinebiografia positiva poderia ter proporcionado.
Programa deixa clara sua posição sobre Flávio
Ainda que tenha feito piadas sobre ambos os candidatos principais, Oliver não escondeu suas preferências na disputa eleitoral. Ele afirmou que uma vitória para Flávio Bolsonaro seria “nada boa”, chamando-o de “um b*sta perigoso chamado Bolsonaro” e expressando sua preocupação quanto à possibilidade da família retornar ao poder.
Oliver ainda comentou sobre a promessa feita por Flávio de perdoar seu pai caso seja eleito, caracterizando essa família como motivada por um desejo incontrolável de vingança. Ao final do programa, contrapôs as falas de Lula às campanhas baseadas no medo promovidas por Flávio: “Espero que no próximo domingo a mensagem de resistência e os exercícios físicos feitos por Lula ganhem mais força do que o alarmismo de Flávio”, concluiu.
Episódio disponível na HBO Max
Uma diferença significativa em relação à eleição anterior foi a disponibilização imediata deste episódio no Brasil pela HBO Max — algo não ocorrido enquanto Jair Bolsonaro estava no poder.
No ano passado, houve a remoção do episódio em que John Oliver criticava Jair Bolsonaro às vésperas das eleições; na ocasião, a Warner Bros. Discovery alegou querer evitar parcialidade devido à falta de conteúdos equivalentes sobre outros candidatos. Especialistas em direito eleitoral afirmaram que não havia justificativa legal para tal censura e consideraram isso como autocensura.
Cerca de quatro anos depois, sob a presidência de Lula, a HBO não viu problemas semelhantes e permitiu que o programa chegasse normalmente ao streaming brasileiro.
Além disso, o vídeo está disponível gratuitamente no YouTube para não assinantes da HBO, embora sem legendas em português.
