Pipoca em Foco: “A Odisseia” se destaca como o grande evento cultural da semana nas telonas
A nova versão de “A Odisseia”, dirigida por Christopher Nolan, se destaca como um dos principais eventos culturais da semana no cinema. Com um elenco impressionante e uma cinematografia de tirar o fôlego, essa superprodução épica representa o primeiro filme de ficção totalmente gravado com câmeras IMAX. É uma experiência imperdível para ser apreciada na maior tela disponível. Além disso, a programação desta quinta-feira (15/7) traz uma renovação no circuito limitado com quatro produções biográficas oriundas da França, Itália e Brasil.
🎞️ A ODISSEIA
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Christopher Nolan traz Homero para as telonas em uma adaptação grandiosa de “A Odisseia”, que narra o retorno de Odisseu a Ítaca após a Guerra de Troia. Este projeto é notável por ser o primeiro longa-metragem filmado completamente com câmeras IMAX e foi realizado em seis diferentes países, utilizando navios reais e cenários marítimos, além de cenas com multidões para dar vida à jornada mitológica.
No papel principal, Matt Damon, conhecido por sua atuação em “Jason Bourne”, assume o personagem Odisseu, que enfrenta deuses e monstros enquanto tenta retornar para Penélope, interpretada por Anne Hathaway, famosa pelo filme “O Diabo Veste Prada”. Tom Holland aparece como Telêmaco, filho de Odisseu, enquanto Zendaya, Charlize Theron, Robert Pattinson, Lupita Nyong’o, Elliot Page e Jon Bernthal também compõem o elenco como divindades e antagonistas.
A produção reflete a preferência de Nolan por filmagens físicas e efeitos práticos, aplicadas agora a uma narrativa que antecede a tradição moderna dos romances de aventura. Essa escolha por um estilo visual mais autêntico resultou em desafios durante as gravações em alto-mar, expostos às condições adversas para retratar a travessia épica do protagonista.
Por outro lado, a busca pelo realismo não se estendeu à seleção do elenco, especialmente na escolha de Lupita Nyong’o para interpretar Helena de Troia, que nos textos clássicos é descrita como loira. Esta controvérsia intensifica as discussões culturais atuais sobre adaptações literárias. Para os críticos mais radicais, isso pode ser um desafio ao assistir ao impacto do filme fora das redes sociais. “A Odisseia” reafirma Christopher Nolan como um dos cineastas mais influentes do século XXI.
🎞️ A DIVINA SARAH BERNHARDT
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A produção francesa opta por não seguir uma linha cronológica na biografia da célebre atriz Sarah Bernhardt. O filme foca em momentos cruciais na transformação dela em um ícone público. A narrativa se passa em Paris nos anos 1896, quando Bernhardt estava no auge da sua carreira teatral e depois avança para 1915, ano marcado pela amputação da sua perna direita. Entre essas duas fases relevantes, a obra explora as conexões entre corpo, palco e imagem pública.
Sandrine Kiberlain assume o papel de Bernhardt sem se limitar apenas à recriação física da artista. O roteiro escrito por Nathalie Leuthreau também examina seu relacionamento com Lucien Guitry (Laurent Lafitte) e destaca Louise Abbéma (Amira Casar), uma artista próxima à protagonista. A narrativa destaca Sarah não apenas como uma diva teatral, mas como uma figura central em círculos sociais e políticos.
A direção fica a cargo de Guillaume Nicloux que utiliza a história de uma lenda já estabelecida para evidenciar seu impacto numa sociedade que ainda lutava para acolher mulheres fora dos papéis tradicionais esperados.
🎞️ DIVA FUTURA
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Este drama de época retrata o surgimento da agência Diva Futura que trouxe a indústria adulta ao centro da cultura pop italiana nas décadas de 1980 e 1990. O enredo acompanha Riccardo Schicchi, fundador da agência, e as mulheres que se tornaram ícones desse mercado, sendo Ilona Staller (Cicciolina) e Moana Pozzi as mais notáveis.
Pietro Castellitto interpreta Schicchi, um personagem que transforma desejo e escândalo em um negócio midiático lucrativo. Denise Capezza vive Moana Pozzi enquanto Lidija Kordic assume o papel de Cicciolina e Tesa Litvan interpreta Eva Henger. A abordagem do filme foca menos nas filmagens do conteúdo adulto e mais na construção de uma família improvisada em torno da fama e exploração do corpo feminino.
A direção é assinada pela americana Giulia Louise Steigerwalt que formou-se na Universidade de Roma e construiu sua carreira na Itália. Ela coescreveu o roteiro junto com Eva Henger e Debora Attanasio cuja experiência pessoal como secretária da agência inspirou este projeto. Selecionado para competição no Festival de Veneza, o filme mistura cinebiografia com aspectos culturais ao refletir sobre como estrelas adultas transformaram-se em ícones na televisão e política italiana.
🎞️ A NOITE DE ALAÍDE
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“A Noite de Alaíde” revisita a vida da cantora Alaíde Costa através de momentos esquecidos: apesar de ser uma das vozes negras fundadoras da Bossa Nova, ela não recebeu os mesmos reconhecimentos internacionais que outros artistas do movimento como João Gilberto ou Tom Jobim. Dirigido por Liliane Mutti, este filme combina animação com documentário para acompanhar a trajetória da artista desde sua infância no subúrbio carioca até seu tardio reconhecimento.
A narrativa é estruturada em torno da Alaíde real — hoje na casa dos noventa anos — mas é dividida entre quatro atrizes representando diferentes fases da vida dela. Dois momentos centrais são destacados: a interrupção da maternidade devido às pressões sociais e profissionais e a exclusão dela junto com Johnny Alf na apresentação da Bossa Nova no Carnegie Hall em 1962. Anos depois, sua viagem aos Estados Unidos simboliza um ato reparador.
Mutti já havia explorado temas musicais anteriormente em “Miúcha: A Voz da Bossa Nova”, onde procurou dar visibilidade a artistas muitas vezes esquecidos nos registros históricos. Este filme participou do In-Edit Brasil antes de estrear comercialmente.
🎞️ XICA DA SILVA
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“Xica da Silva” retorna às telas com uma versão restaurada em 4K quase cinco décadas após transformar uma figura histórica do século XVIII numa das personagens mais icônicas do cinema brasileiro. Lançado em 1976 sob a direção de Cacá Diegues, o longa atraiu mais de 3 milhões de espectadores e consolidou Zezé Motta como protagonista numa narrativa repleta de poder e disputa colonial.
A história segue Francisca da Silva — mulher escravizada que se torna companheira de João Fernandes — contratador da Coroa Portuguesa no Distrito Diamantino. Esta relação altera significativamente as dinâmicas sociais locais colocando Xica no centro das interações regionais enquanto provoca reações adversas entre autoridades ansiosas por conter seu crescente poder.
O roteiro escrito por Diegues juntamente com Antonio Callado e João Felício dos Santos mescla sátira com crítica histórica num tom acessível ao público geral. Walmor Chagas dá vida ao personagem João Fernandes enquanto José Wilker interpreta o Conde de Valadares além das participações marcantes de Elke Maravilha e Stepan Nercessian. A restauração também revitaliza os aspectos visuais ligados à fotografia realizada por José Medeiros e à direção artística sob responsabilidade de Luiz Carlos Ripper.
