Christina Applegate recebe diagnóstico positivo após cinco anos de incertezas sobre esclerose múltipla
Diagnóstico de cinco anos é anulado
Christina Applegate anunciou na terça-feira (20/10) que recebeu um diagnóstico equivocado de esclerose múltipla, condição da qual estava se tratando desde 2021. A atriz, de 54 anos, compartilhou essa revelação durante o podcast “MeSsy”, que apresenta junto a Jamie-Lynn Sigler, conhecida por seu papel em “Família Soprano”. A atriz havia se afastado do programa por sete meses devido a problemas de saúde. A nova avaliação médica não trouxe alívio; Applegate ainda enfrenta sintomas incapacitantes que a afastaram de sua carreira e agora não sabe a real origem de sua condição.
Por que a nova informação não trouxe alívio?
<pEm um relato emocionado, Christina descreveu como recebeu a notícia do novo diagnóstico. “Ela entrou no meu quarto e disse: ‘Parabéns, você não tem esclerose múltipla’”, recordou sobre a médica responsável por seu tratamento. Sua reação, no entanto, foi muito diferente da esperada. “Não fiquei nada feliz. Todo mundo estava tão contente”, afirmou. “Você não recebe um diagnóstico errado e, de repente, melhora. Eu não melhorei. Na verdade, em alguns aspectos, piorei.”
A artista revelou que continua dependendo de uma cadeira de rodas para ir às consultas médicas, já que não consegue caminhar do carro até o consultório. As dores persistem, assim como a falta de equilíbrio e as dificuldades motoras que comprometem seu dia a dia. “Voltei à estaca zero, sem saber o que está acontecendo comigo”, lamentou. Antes, o diagnóstico de esclerose múltipla havia fornecido uma explicação para seu sofrimento e um caminho terapêutico; agora, os médicos precisarão investigar novamente as causas dos seus sintomas.
Como os profissionais identificaram o erro?
Os primeiros indícios surgiram em janeiro de 2021, quando Christina começou a sentir dormência nos dedos dos pés, que rapidamente se espalhou pelas pernas. Após uma série de exames, incluindo ressonâncias magnéticas do cérebro e da coluna vertebral, os médicos encontraram quase 40 lesões cerebrais. Esse resultado levou ao diagnóstico inicial de esclerose múltipla, uma doença autoimune que afeta o sistema nervoso central.
Pela duração de cinco anos, Christina recebeu medicamentos e tratamentos intravenosos com o intuito de controlar a doença. O processo de revisão diagnóstica teve início quando sua médica decidiu interromper temporariamente as infusões para observar como as células B reagiriam, já que estão ligadas à atividade do sistema imunológico. Como os resultados não mostraram as alterações esperadas, a equipe médica decidiu aprofundar a investigação com novos métodos diagnósticos por imagem que ajudaram a descartar a condição inicialmente diagnosticada.
No podcast, Marwa Kaisey, neurologista do Cedars-Sinai Medical Center, esclareceu que erros desse tipo são mais comuns do que se imagina. Não existe um único exame capaz de confirmar esclerose múltipla; os médicos dependem da combinação entre sintomas apresentados, avaliações clínicas e exames complementares. Estudos indicam que diagnósticos incorretos podem ocorrer em cerca de 20% dos pacientes analisados; em muitos casos, essas pessoas foram tratadas por anos para doenças que na verdade não possuíam.
Doença afetou carreira e causou depressão
A confirmação da condição em 2021 alterou significativamente a trajetória profissional da atriz, reconhecida desde jovem na televisão. Christina ganhou notoriedade como Kelly Bundy na série “Um Amor de Família” (1987-1997) e se tornou uma das atrizes mais queridas das comédias americanas. Na época em que recebeu o diagnóstico, ela estava filmando a terceira e última temporada de “Disque Amiga para Matar” na Netflix. A produção teve que interromper as filmagens por vários meses e readequar os trabalhos às limitações físicas da protagonista. Essa temporada foi lançada em novembro de 2022 e acabou marcando sua despedida das telonas.
“Passei por um período profundo de depressão por conta disso. Perdi tudo: perdi meu trabalho”, recordou no podcast ao falar sobre como a doença impactou sua vida pessoal e profissional. Desde então, ela tem abordado publicamente suas dificuldades com locomoção, momentos de isolamento e hospitalizações frequentes. Em março deste ano, lançou sua autobiografia intitulada “You with the Sad Eyes”, onde narra como sua condição afetou sua rotina diária; naquele mesmo mês iniciou uma longa internação hospitalar que durou cerca de quatro meses.
A artista também se posicionou como uma das principais defensoras da conscientização sobre esclerose múltipla em Hollywood. Em 2024, estreou o podcast “MeSsy” ao lado de Jamie-Lynn Sigler — esta última diagnosticada com a doença em 2002 — onde compartilham experiências relacionadas ao tratamento e aos desafios físicos e emocionais enfrentados com essa condição crônica. Ao revelar o erro no diagnóstico anterior, Christina expressou sentir-se decepcionada com aqueles que passaram a vê-la como representante da comunidade portadora dessa doença.
Parceira defende importância do trabalho realizado
Jamie-Lynn Sigler defendeu firmemente que essa descoberta não diminui o valor do trabalho desenvolvido ao longo dos últimos anos: “Tudo o que você fez e compartilhou permanece válido”, comentou à amiga. “Você não enganou ninguém.” Apesar disso, Christina admitiu estar lutando para assimilar toda essa nova informação: “É muito perturbador e confuso para mim”, declarou ao enfatizar ter perdido sua única explicação médica para suas dificuldades.
A equipe médica continuará pesquisando sobre as causas dos sintomas persistentes desde 2021. Christina afirmou estar ainda sob impacto emocional dessa reviravolta e destacou que retirar o diagnóstico anterior não alterou sua condição física: “Nada mágico aconteceu quando ela disse: ‘Você não tem esclerose múltipla’.”
