Influenciadora Malévola é detida no Egito por gravações nas ruas
Confirmação da detenção no Egito
A influenciadora brasileira Mariana Alves, popularmente conhecida como Malévola, foi detida nesta terça-feira (20/10) no Egito após compartilhar vídeos sobre sua experiência no país. O Ministério do Interior do Egito confirmou a prisão da jovem de 22 anos e de uma amiga na área de Alexandria, sob a alegação de comportamento considerado obsceno em locais públicos. Antes que a informação fosse oficialmente divulgada, Malévola fez um apelo nas redes sociais, informando que as autoridades haviam confiscado seus passaportes e questionado sua identidade de gênero.
Detenção e os eventos que a precederam
O incidente ocorreu quando Malévola e sua amiga, Bruna Marcatelli, estavam dentro de uma van de turismo. Policiais abordaram o veículo e levaram ambas para uma delegacia, onde seus documentos foram apreendidos. A influenciadora conseguiu enviar mensagens através dos Stories do Instagram antes de perder contato com seus seguidores. Em uma das postagens, ela revelou: “Estamos na delegacia, estamos desesperadas. Eu não sei o que vai acontecer ou o que vão fazer com a gente”.
Em outra publicação, ela mencionou que os policiais questionaram se elas eram mulheres trans. “Se eu sumir, vocês já sabem”, alertou Mariana, pedindo auxílio a quem estivesse em Alexandria. Essas mensagens geraram uma onda de mobilização entre seus fãs e foram amplamente compartilhadas nas redes sociais.
Reação das autoridades egípcias
<pAinda à noite, o Ministério do Interior emitiu um comunicado no qual confirmava a detenção das duas brasileiras após a divulgação de vídeos considerados ofensivos à moral pública. Segundo informações do órgão, as turistas foram flagradas realizando gestos de conotação sexual e importunando pedestres em diversas ruas do país.
Durante a sua estadia no Egito, Malévola havia publicado gravações em que dançava funk, exibia roupas íntimas e interagia com moradores locais. Parte desse conteúdo começou a ser compartilhada por páginas egípcias acompanhada de críticas ao comportamento das influenciadoras e comentários preconceituosos sobre sua identidade de gênero.
No comunicado oficial, o governo afirmou que as duas reconheceram ter criado e divulgado os vídeos para atrair mais visualizações nas redes sociais. Além disso, foi mencionado que medidas legais estavam sendo tomadas e que o caso seria encaminhado à Promotoria Pública do Egito. A nota não fez referência à identidade de gênero das detidas como fator para a prisão.
Denúncia de perseguição transfóbica
A influenciadora Bruna Tivo, que também estava na viagem mas retornou a Paris antes da detenção, denunciou que suas amigas estavam sendo alvo de perseguição devido à sua identidade de gênero. “Jogaram nossos vídeos no Egito em um grupo do Facebook. O problema é ser trans”, afirmou em suas redes sociais.
Bruna também comentou que o grupo vinha sendo frequentemente filmado por moradores durante as saídas e que essas imagens circulavam com mensagens hostis até culminar na abordagem policial. Ela solicitou ajuda para encontrar advogados no Egito e indicou estar tentando contatar a representação diplomática brasileira.
A assessoria de Malévola confirmou à imprensa que a influenciadora havia sido levada à delegacia, mas não possuía informações sobre sua situação legal naquele momento. A equipe informou ainda que advogados haviam buscado apoio na Embaixada do Brasil enquanto aguardavam mais esclarecimentos; esse comunicado foi feito antes da confirmação oficial da detenção pelas autoridades egípcias.
Contexto da repressão no Egito
A prisão ocorre em um contexto onde leis sobre moralidade pública são utilizadas para restringir conteúdos publicados por mulheres e membros da comunidade LGBTQIA+ nas plataformas digitais. Embora a homossexualidade não seja diretamente criminalizada pela legislação egípcia, normas relacionadas à libertinagem e aos valores familiares têm sido aplicadas contra aqueles cuja expressão de gênero ou sexualidade desafie os padrões conservadores estabelecidos.
Em setembro de 2025, a organização Human Rights Watch denunciou uma série de prisões envolvendo criadores de conteúdo no Egito. Durante os meses de julho e agosto daquele ano, pelo menos 29 pessoas foram detidas ou processadas devido a publicações consideradas ofensivas à moral pública; entre elas estavam principalmente mulheres, incluindo dançarinas e influenciadoras do TikTok.
A legislação sobre crimes digitais introduzida em 2018 prevê penas privativas de liberdade para publicações vistas como violações dos valores familiares egípcios. Organizações defensoras dos direitos humanos criticam as definições amplas dessas normas, permitindo assim às autoridades criminalizar expressões pessoais sem evidências concretas de prejuízo a terceiros.
Status atual de Malévola
Malévola é conhecida por seu humor ousado e pelos vídeos compartilhados sobre seu cotidiano; atualmente possui aproximadamente 1,9 milhão de seguidores no Instagram e cerca de 900 mil no TikTok. Após o incidente com as autoridades policiais, seu perfil foi configurado como privado e as postagens referentes à sua detenção tornaram-se inacessíveis ao público.
A confirmação feita pelo Ministério do Interior selou oficialmente a detenção das duas brasileiras e o encaminhamento do caso para análise da Promotoria. Até o momento não havia informações verificadas sobre possíveis liberações ou quaisquer ações legais subsequentes até o momento da divulgação dos comunicados consultados.
Abertura para declarações
O espaço permanece disponível para posicionamentos ou atualizações por parte das partes envolvidas que desejem responder ou acrescentar informações sobre o ocorrido.
